Conta que eu conto – Dieta do Homem

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Juliana contou:

Terminei um namoro e sofri tanto que perdi e 7 quilos. Terminei outro, perdi 3. Solteira e mais magra? O que poderia ser melhor?

 

Virou história:

Dieta do Homem

Juliana estava acima do peso, acima do limite da paciência e, acima de tudo, cansada daquele relacionamento com o Beto. Sabe quando a gente diz que ele já não é mais o mesmo? Juliana já nem lembrava como esse “mesmo” era. Só sabia que não era nada daquilo que ela queria. E então Juliana terminou com a rotina e com o rótulo. Estava livre. E tão leve que caiu com o primeiro vento que veio ao folhear os álbuns de fotografias dos dois. Por que será que ninguém fotografava as brigas, a indiferença, a frieza? Naquelas fotos ela só via sorrisos, abraços, amor. E então Juliana lembrou de tudo, lembrou do começo e esqueceu do meio. Aquele fim não podia ser.

Com quilos a mais também nos ombros, Juliana ligou para o ex, agora tão atual. Mas o número passou a ser inexistente, foi o que disse a voz de mulher do outro lado. Juliana não podia acreditar. Como ele pode trocar o número? Era como cortar os laços entre eles com facão. Facão enferrujado. Doída de tétano no peito e no estômago, Juliana perdeu um pedaço de si e da fome.

Quanto mais seu sorriso murchava, menos ela precisava murchar a barriga para entrar na calça 38. Foram longos 72 dias em que ela perdeu 7 quilos.

No dia 73 ela já estava curada, com um brigadeiro de panela e um cara que conheceu na padaria. O amor é o Biotônico Fontoura dos crescidinhos. As borboletas no estômago tanto batem asas que abrem espaço e apetite. E lá estava Juliana encontrando, sem a ajuda de São Longuinho, os 7 quilos que perdeu.

E como Juliana gostava muito da sua calça 38, que já não entrava mais, entrou na dieta da água, da lua, da sopa. Mas só perdeu os 7 quilos e mais 3 quando o cara da padaria tomou chá de sumiço com pão de queijo.

Sem ir mais à padaria, sem ir mais à geladeira, Juliana fez sumir também o que sobrava dela.

E as amigas de Juliana não davam a menor atenção ao sofrimento da pobre. Elas só tinham olhos para sua silhueta que aparecia e as saboneteiras que apontavam. Lipo? Anfetaminas? Spa? Qual foi a surpresa delas quando Juliana contou que o que fez foi a Dieta do Homem. E como mulher adora copiar essas coisas, foram namoros, casamentos, noivados findando sem motivo, o que era ainda melhor, porque fazia sofrer mais. E sofrimento é comida sem sal.

Sempre que estava acima do peso, Juliana dava um jeito de sofrer de amor. Ia para a academia só para se apaixonar platonicamente pelo personal. E aí, amor recolhido dava um nó na garganta tão grande que ela perdia os quilos que queria em uma semana. Ficava as outras três sem voltar a malhar. Provavelmente procurado amor para perder depois. É que adorava a sua calça 38.

 

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Conta que eu Conto é assim: você conta e eu aumento, invento, exagero, imagino, mudo tudo, até o seu nome.

Faça como a Juliana, que não se chama Juliana, claro, e mande sua história em até 280 caracteres para sussycom3s@gmail.com

 

 

 

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