Conta que eu conto – O homem que pagou o aluguel da inquilina.

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Seu Lucas tinha filhos, netos, sobrinhos, cachorros e inquilinos. Estes últimos ele tinha para viver tranquilo. Mas logo descobriu que tranquilo ele vivia quando os filhos eram adolescentes. Inquilinos eram alguma invenção para manter as fábricas de aspirinas. Só podia ser essa a razão para tanta dor de cabeça.

Mas a pior delas ele teve com a Diana. Cada vez que ouvia a voz da mulher era uma pontada na região entre os olhos e onde os cabelos começavam a branquear. É que Diana era uma inquilina com I maiúsculo. I de inconveniente, irritante, irresponsável, istridente (se estridente fosse com I, claro). A voz de Diana era um verdadeiro castigo, que acentuada ao seu tom de insatisfação, parecia colocar seu Lucas ajoelhado no milho. E ela reclamava de tudo. Só que dessa vez a inquilina tinha razão. Uma razão mofada e pingante. Era uma bendita infiltração em uma das paredes. E ela ligava para o seu Lucas com a frequência com que escova os dentes. E os dela eram branquinhos.

Para completar o currículo de inquilina graduada, Diana devia ser prima da Chiquinha, sobrinha do seu Madruga e devia bem uns 14 meses de aluguel. Mas de seu Barriga, seu Lucas não tinha nada e perdeu a paciência. Não arrumaria infiltração nenhuma e ela tinha mais era que alugar a casa e o ouvido de outra vítima.

Como boa devedora, Diana alegou não poder sair, reclamou da falta de dinheiro, da crise econômica mundial, do desemprego e até esqueceu de reclamar da infiltração. Só tinha infiltração quem tinha paredes, não é verdade? Mas seu Lucas estava disposto a pagar para não ver. Não ver mais a Diana. E ele perdoou a dívida e pagou um mês de aluguel para ela ir reclamar em outra vizinhança.

Diana nunca mais esqueceu seu Lucas. Proprietário igual a ele não tinha. E ela usava o nome dele em vão e em brigas com o novo proprietário da casa que alugou. E sempre começava assim: “Se fosse o seu Lucas…”.

 

 

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Ana Luiza Marinho contou e virou história:

“Em resumo, é o seguinte: meu pai pagou aluguel para a inquilina dele.

Como assim? Ela estava reclamando direto de uma infiltração que, para ele arrumar de verdade, precisaria quebrar muito a parede. Só que ela reclamava demais e ele não queria tocar uma obra com ela reclamando. Além disso, o aluguel estava atrasado. Um dia ele perdeu a paciência e disse “procure outra casa para vc morar”. Daí ela respondeu “mas eu não tenho dinheiro.. estou com o aluguel atrasado, inclusive”. Ele disse “se vc for embora até o dia XX eu perdôo essa dívida e pago o seu primeiro mês de aluguel. Se precisar, pago adiantado”. Resultado: ele cumpriu a palavra dele e se sentiu uma sábia pessoa por ter resolvido o problema dele, que era a mulher pegando no pé todos os dias, praticamente”.

 

 

[Sussy Côrtes]

 

2 Comentário

  1. Ana Luiza

    30 de setembro de 2012 16:37

    Sussi, adorei a sua versão: bem melhor que original. E o meu pai se divertiu muito agora, quando li a hostoria do Seu Lucas para ele. Vc escreve bem demais! Bjos, Ana

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