Maísa e o esmalte

, , Leave a comment

Um dia faltou o que fazer na indústria de esmaltes e resolveram incrementar o nomes das cores. E o vermelho virou Tentação, Inveja Boa, Inveja Má, Santa Gula, Pecado, 40 graus, Sapatilha, Pimenta, Cereja, Mordidinha. Era sentimento demais para Maísa escolher e depois tirar com algodão.

Mas para se encontrar com Zeca ela não teve dúvidas e foi direto ao tom “te quero”, escolhendo Desejo. Maísa saiu do salão com a certeza de que tinha as intenções tatuadas na testa e na ponta das unhas. A noite seria incrível. E como se a cor não tivesse secado, mal o salão abriu na manhã seguinte e lá estava Maísa chorando lágrimas de acetona. Ela queria desesperadamente trocar o esmalte por um Amarelo Frustração. Zeca havia percebido o Desejo nas unhas de Maísa.
– Mas não era o que você queria, mulher?
– Fatinha, ele sabia que o nome do esmalte era Desejo!
Lascou. Fatinha, manicure de longa data, não teve dúvidas. Passou logo um Preto Luto nas unhas de Maísa. Homem que é homem não sabe nome de esmalte não.
O injustiçado Zeca, redator que trabalhava na agência de publicidade que criou o nome dos esmaltes, não entendeu porque Maísa foi embora no meio do jantar e nunca mais retornou suas ligações de coração partido. Logo ela, que parecia tão na dele. Naquele dia ele criou o Pink Vigarista, o tom de rosa mais pedido nos salões.

 

Conto do livro Dramas & Vagabundos. Dramas de mulheres e seus homens ou quase homens ou quase seus.

 

[Sussy Côrtes]

 

Comente

(*) Required, Your email will not be published