Sobre o amor e os gostos musicais (Virou História, por Lara Falluh)

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De um tempo pra cá, os gostos musicais estavam um pouco diferentes. Ela não tinha deixado de amar Nando Reis, Marcelo Camelo ou Mallu Magalhães, ela estranhamente só não tinha se interessado em escutar os albuns novos, e coincidentemente nunca mais escutou as músicas antigas. Mas as tatuagens com letras de músicas deles continuavam sendo amadas com todo o amor que ela podia dedicar. Sem que ela percebesse, no Ipod esses nomes começaram a ser substituídos por os daquelas duplas sertanejas, que ela sempre jurou ódio, toda a discografia do Bruno Mars e um pouquinho de Maroon 5. Ela já estava tão habituada a responder com um sorrisinho de tédio a frases como “Ouvi Nando Reis e lembrei de você”, “Nossa, você ouvindo sertanejo?” e ‘Desde quando você gosta tanto de Bruno Mars?”, que ela nunca tinha realmente parado pra pensar sobre isso. Talvez ela sempre tivesse pensado que era natural, tanto a falta de vontade de um, quanto a vontade pelo outro. “Sei lá, a gente muda”, ela dizia quando se dava ao trabalho de responder. Um dia o questionamento deixou de passar direto pelos ouvidos e começou a incomodar lá dentro. Saiu um álbum novo, que ela esperava desde a época que escutava incansavelmente um desses que deixou pra trás. Saiu, ela ouviu, ouviu de novo, tentou se apaixonar e não rolou. Incomodou mais ainda porque quando saiu todo mundo lembrou dela, e veio perguntar o quanto ela tinha amado, já que não amar, não era uma possibilidade, mas o que ela ia fazer? Se obrigar a amar? No começo ela pensou que o motivo da mudança era o ex namorado, aquele com quem ela tinha certeza de que ia casar, até que o universo a mostrasse que a certeza não era tão grande assim. Ela pensava que apesar de ele não compartilhar os mesmos gostos musicais, era isso que ela ouvia enquanto estava com ele, ou o que remetia à vida deles como um casal, e que agora ela procurava alguma coisa que não trouxesse a lembrança de ninguém a não ser dela mesma. E isso fez sentido, até ela perceber que a falta, ou a mudança de amor, foi resultado da mudança dela mesma. Ela percebeu que aquela pessoa cuja qual todas as outras lembravam quando ouviam Nando Reis, não existia mais e que a ruptura foi tão grande que ela não tinha nem mais interesse em escutar, mas o que ela ia fazer ? Se obrigar a voltar? E aos poucos ela, e as pessoas em volta perceberam que do mesmo jeito que a gente ama, e “desama”, a gente muda, se reinventa, os gostos mudam, e que principalmente o amor muda. E que o que tem pra fazer, não é se obrigar a amar o antigo, e nem tentar voltar a ser o que era, e sim aprender a amar de novo. Amar o novo, amar diferente e se fazer amável de uma forma diferente.

 

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